O significado desta comemoração
Um olhar externo de um transeunte, poderia pensar que se tratava de uma linda homenagem dos alunos ao seu mestre. E é, mas, apenas na visão dos discípulos. Para o mestre é uma oportunidade de prover vida Kung Fu aos seus discípulos, muito mais que esperar um evento perfeito, focado no resultado ou na sua homenagem. É a vida sendo como ela é na dimensão Kung Fu -Sam Faat.
Esta celebração é o ponto alto do ano numa Família Kung Fu e remonta as celebrações do Patriarca Ip Man, muitas delas organizada por nosso Patriarca Moy Yat. Essa celebração é utilizada como instrumento estratégico, como uma ferramenta poderosa, cuidadosamente planejada e executada. Em nosso caso, posso ilustrar alguns dos propósitos ilustrados por meu Sifu.
- Reacender a chama: Chamar de volta aqueles membros que se afastaram, reacendendo a paixão pelo Kung Fu.
- Unir os clãs: Criar um espaço de encontro e troca entre diferentes grupos, fortalecendo os laços da comunidade.
- Mergulhar na essência: Reforçar a vivência do Kung Fu em sua totalidade, o “Sam Faat”, promovendo um mergulho profundo na arte marcial.
E pode acreditar que esse primeiro evento de aniversário realizado por mim, Rafael Ortega, Fernando Fontonete e Vicente alencar buscou atingir os objetivos listados, é verdade, não sem esforço e com muitas lições apreendidas…
A preparação do evento. Pré-evento.
Em todo evento de Kung Fu, há um ritual, uma dimensão mais profunda que leva ao aprendizado. Vivemos o presente intensamente, em cada detalhe. Este foi o primeiro aniversário oficial da nossa família, e eu, como discípulo mais velho (Daai Dai Ji), fiquei responsável por sua organização.
Tivemos apenas uma semana para preparar tudo, pois, como discípulos, nunca havíamos pensado em organizar algo assim. Essa foi a primeira lição. A partir daí, focamos em ações para alcançar nossos objetivos estratégicos.

Comecei por criar um grupo interno para facilitar a comunicação. Cabe aqui um destaque especial para nossa querida irmã Anuska, que se ofereceu para ajudar em tudo, mesmo tendo poucas horas de sono por causa de um plantão médico. Ela criou o convite, com uma arte incrível, algo que não teríamos tempo nem talento para fazer. Lhe somos muito gratos, pois esse foi o pontapé inicial para convocar os convidados externos. Anuska talvez nem imagine o quanto esse gesto foi importante. O sono nos pregou uma peça e as primeiras versões do convite continham erros crassos que não passaram desapercebidas por nosso querido Si Gung Leo Imamura. Não sei se fiz certo ou errado, mas foi a primeira pessoa que enviei o convite para análise e aprovação.
Em verdade, fiquei preocupado com o tamanho e o número de pessoas que poderíamos convidar, dado o curto espaço de tempo de preparação e o local previamente escolhido. Apenas durante o evento, tendo o reforço do Si Gung me dei conta que poderia ter ampliado o número de convidados. Fica a lição para o próximo. Feito isso, era reservar o local adequado ao número de participantes que permitisse o dialogo, realizar os convites, comprar o bolo… Cheguei com quase uma hora de antecedência acompanhado por minha doce pequena filhinha Liz (5 anos) que trouxe 3 tiaras (apenas para ilustrar o cuidado que ela tomou para ir ao evento) adicionais para compartilhar com as filhas do Si Fu, que a principio imaginei que viriam. A propósito, não comprei o bolo.
O Início
O Sifu e sua esposa, Simo Flávia, foram os primeiros a chegar, pontualmente. Receberam a mim e a Liz com carinho e sorrisos. A Simo, que já vinha me ajudando na organização, continuou sendo um apoio fundamental durante o evento. Seus toques, aparentemente pequenos, fizeram toda a diferença sobre como lidar com o novo.
Um exemplo foi quando precisei dividir os convidados em duas mesas de oito, já que três pessoas não viriam. Havia uma mesa ao lado para 14 pessoas, mas já estava reservada. A Simo, ao meu lado, e sob a orientação do Sifu, me deixou lidar com a situação com calma, improvisando. Afinal, essa capacidade de adaptação é essencial na vida prática.
Os convidados foram chegando, incluindo o Si-Baak Mestre Thiago Pereira e seu discípulo Markus, seguidos pela Sra. Vera (mãe do Sifu) e pelo Sr. Paulo (pai do Sifu). Com a chegada do casal surpresa, que já havia confirmado presença, adicionei mais duas cadeiras à mesa, deixando o espaço um pouco mais apertado.
A surpresa inicial.
A presença do Grão-Mestre

O Sifu não esperava a presença do Grão-Mestre Léo Imamura, que tinha outro compromisso na mesma hora, em outra parte da cidade, com sua esposa, a Sra. Maria Paula. No entanto, o Grão-Mestre havia confidenciado a mim e à Simo que participaria, nem que fosse por um breve momento. Eu sabia que isso deixaria nosso Sifu extremamente feliz, e foi exatamente o que aconteceu. Ao ver o Si Gung e sua esposa entrarem no salão, o Sifu ficou surpreso e radiante. Eles nos abraçaram com emoção, e aproveitei para compartilhar o desafio da disposição das cadeiras na mesa.
O presente do “acaso”
O evento originalmente contava com a presença das Filhas do Sifu o que contabilizaria 16 pessoas, sendo assim por exigência do restaurante a divisão em 2 meses comportando 8 pessoas cada. Até achegado do Si Gung e sua esposa eu já havia juntado mais duas cadeiras a mesa. Não fazia sentido deixar as pessoas afastada da mesa principal e estaríamos em 13 pessoas.
Uma das lições que aprendemos no evento da Visita da Liderança foi estar preparado e aceitar presentes que nos vem ao “acaso”. Particularmente foi um tema que discutir com mais profundidade com o Si Gung e, neste momento, aproveitei para dar-lhe um forte abraço quando o garçom nos “presenteou”com a mudança mesa redonda que comportava 14 pessoas, no exato momento em que os próximos convidados chegaram. Foi o timimg perfeito no tempo que permitiu a alocação confortável e estratégica para o que se daria adiante, com a chegada da Mestre Cristina Azevedo e do To Dai Fernando. Tudo perfect!
A cerimônia
Foi solicitado algumas entradas de pratos típicos chineses e na sequencia como Daai Dai Ji tomei a iniciativa protocolar de passar a palavra ao Grão Mestre para que nos agraciasse com suas palavras trazendo reflexões para o momento. A primeira observação foi sobre o uso do Baat Jaam Do na cerimônia de aniversário para o corte do bolo e seu significado. Abaixo as palavras iniciais.
Como não havia comprado o bolo, e agora entendido a importância simbólica de tal instrumento, neste momento, combinei com Fernando algumas alternativas para sua compra de forma discreta.
Em seguida o Grão Mestre nos trouxe momentos de recordação lembrando da pessoa querida que trouxe o Sifu Paulo ao Kung Fu e continuou seu discurso com palavras que emocionaram a todos os presentes e principalmente o próprio aniversariante. A palavra foi passada a cada um dos presentes, na sequência para mestre Cristina que emocionada destacou momentos da jornada Kung Fu e sua admiração pelo Sifu. Foram palavras que destacam a formação até aqui e a responsabilidade que virá com a presidência do instituto. Palavras essas reforçada pelo mestre Thiago Pereira que trouxe memórias de como ele grato por há muitos anos atrás ter sido muito bem recebido por meu Sifu e Simo no aniversário de 50 anos do Si Gung. Reforçou as palavras de responsabilidade sobre a transmição do legado como presidente do Instituto Moy Yat.
Após suas palavras junto com Fernando fomos comprar o bolo num estabelecimento próximo o que nos ausentou por 15 minutos, perdendo as falas dos pais do Sifu, que foram descritas como emocionantes. Para meu Sifu, foi um privilégio único até aquele momento contar com a presença dos seus pais dentro do âmbito Kung Fu, especialmente para sua mãe.
Vicente que não pode estar presente, nos enviou um video depoimento que foi compartilhado a todos presentes e visto simultaneamente. O Mestre Hebert por sua vez nos enviou como presente uma linda composição tocada em seu piano. A música foi tocada em todos celulares simultaneamente e isso deixou um clima muito leve, gostoso e especial. Confira abaixo por si mesmo.
É difícil expressar em palavras o quanto foi significante os momentos desse pequeno grande evento. Não vou dizer que foi ainda mais difícil quando a palavra me foi passada, pois que falei do coração, até o momento em que as palavras não vieram e o abraço no Sifu representando minha admiração e comprometimento com a família. Neste dia divulguei o que seria meu presente que fora solicitado pelo Sifu. O presente materializado é exatamente o que você esta lendo aqui. Este blog e este primeiro artigo. Acredito que o tenha emocionado, assim como meu To Dai Fernando ao relatar calmamente o que o Sifu representa em sua vida, sua admiração e gratitude por sua presença em nossas vidas.
O corte do Bolo.

Bolo floresta negra na mesa, o Sifu demonstrou habilidade no momento do corte. Feito isso, proferiu palavras sobre o que aquele momento significava para ele. A celebração foi da dimensão que tinha que ser e ele nos era muito grato. Foi mais um momento de emoção que não consigo descrever nas palavras.
O presente da Familia
Este blog é o presente da Familia para o Sifu. Esperamos aqui, poder compartilhar de momentos da Vida Kung Fu em nossa trajetória.